segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nova oficina


Olá pessoal
No dia 01/08 estarei realizando oficina sobre o Livro Didático na Educação Infantil em Santana do Acaraú.
Bastante expectativas!
Este texto faz parte do material que será abordado.
Beijos!


LIVRO DIDÁTICO
Para que o livro didático faça parte de um processo educacional com qualidade, o professor não deve usá-lo como uma “cartilha fechada”, mas como um ponto de partida para o desenvolvimento da aprendizagem. A avaliação é do diretor de políticas de material didático da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Marcelo Soares.
Para Soares, qualquer obra sempre traz “limitações”, mas deve ser uma ferramenta orientadora do processo, inclusive para que se adapte às diferentes realidades.
“Ele acaba ajudando o aluno e o professor a compreenderem melhor não só o conteúdo propriamente dito, mas a instrumentalizar a escola para no tratamento desses conteúdos poderem trabalhar a realidade cultural, política, econômica de cada região”, afirmou o diretor em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia.
O representante do ministério acredita que qualquer livro se mostra adequado às diferentes realidades culturais e sociais em que a escola está inserida, desde que os professores não tenham o livro como uma “cartilha fechada”. Segundo ele, durante o processo de seleção dos livros que serão distribuídos à rede pública, o MEC leva em conta se a obra procura apontar sugestões de estudos e atividades complementares que “levem o professor a trabalhar o livro dialogando com a realidade em que ele se situa”.
“É importante que o professor tome o livro didático como uma ferramenta de trabalho, não como o currículo mínimo que ele tem que desenvolver. Ele deve ser um apoio para o bom trabalho. O professor tem condições de ter uma relação de autonomia, de interação, sem subordinação ao livro. E cada vez mais a gente vê experiências muito interessantes em que nossos professores utilizam o livro de maneira criativa, promotora do desenvolvimento cognitivo”, indica.
Fonte: Agência Brasil - 09/07/2009
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/02/27/materia.2009-02-27.1621412438/view

Refletindo:

Na prática, o professor deve ir além do livro didático, quanto menor a criança, mais concreta e prazerosa devem ser as propostas de atividades.
O livro didático é um veículo de registro de aprendizagem, o ato de aprender, de assimilar o que esta sendo abordado deve ser adquirido antes de trabalhar no livro, isto é, no concreto e prático.
Quanto mais lúdica e prazerosa a exploração do conteúdo, melhor será o resultado.
Devemos estar atentos à exploração dos conteúdos, buscando integrar os objetivos referentes à faixa etária da criança, o projeto escolar, a proposta do livro didático e as expectativas do grupo. É a união destes eixos que facilitarão o processo de aprendizagem na educação infantil.




*Oficina do Livro Didático – Alessandra Caldeira da Costa – Agosto/2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma rosa com outro nome


UMA ROSA COM OUTRO NOME

Imagine por um instante que você está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora e vai investigar. Você encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira. Ele está tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas essas rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas".

Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso. Não importa quando a rosa vai desabrochar - uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Você olha novamente a rosa e percebe que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem desabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por que o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas?

Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontecem todos os dias em nossas escolas. Professores pressionados por seus chefes seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito. No entanto as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma a seu tempo.

Meu coração gela quando penso nas crianças classificadas como 'ADHD' (sigla norte-americana para 'distúrbio de hiperatividade e falta de atenção'), o mais novo tipo de "distúrbio de aprendizagem". Muitos educadores e pesquisadores acreditam que as crianças e suas famílias tenham sido cruelmente enganadas por essa classificação. O Dr. Thomas Armstrong, que já foi especialista em dificuldades de aprendizagem, mudou de profissão quando começou a ver "como essa noção de distúrbios de aprendizagem estava prejudicando todas as nossas crianças, colocando a culpa da dificuldade de aprender em misteriosas deficiências neurológicas, em vez de apontar para as tão necessárias reformas em nosso sistema educacional". O Dr. Armstrong voltou-se então para o conceito de diferenças de aprendizagem e escreveu "In Their Way" ("Do modo deles"), um guia prático e fascinante para os sete "estilos pessoais de aprendizagem" inicialmente propostos por Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard. O Dr. Armstrong nos instiga a abandonar rótulos convenientes, mas nocivos tais como "dislexia" e nos ater ao problema real do "disensino". Ele adverte que "nossas escolas estão desvalorizando milhões de crianças ao taxá-las de insuficientes quando na realidade elas estão sendo incapacitadas por métodos de ensino ruins".

Como Armstrong explica, "as crianças são sobrecarregadas com diagnósticos tais como dislexia, disgrafia, discalculia e assim por diante, dando a impressão de que sofrem de doenças muito raras e exóticas. Embora o termo dislexia seja apenas uma expressão latina para 'dificuldade com palavras', centenas de testes e programas se propõem a identificar e tratar tais 'disfunções neurológicas'. Mas os médicos ainda não conseguiram determinar qualquer tipo de lesão cerebral detectável na maior parte das crianças com esses assim chamados sintomas. Parece evidente para mim, depois de quinze anos de pesquisa e prática no campo da educação, que nossas escolas são as principais culpadas pelo fracasso e pelo tédio enfrentado por milhões de crianças..."

As classificações de distúrbios de aprendizado seriam "as novas roupas do imperador" das escolas? Os filósofos têm um recurso interessante chamado "Navalha de Occam", um expediente prático para liquidar com teorias absurdas: "para resolver um problema, deve-se escolher a teoria mais simples que explique os fatos". Quais são os fatos? É fato que muitos escolares, principalmente do sexo masculino, têm dificuldades de aprendizagem. Mas também é fato que existem centenas de milhares de crianças no mundo, meninos e meninas, entre os quais esse defeito "genético" está ausente: são as crianças escolarizadas em casa. Nesse grupo, praticamente não existem dificuldades de aprendizagem, exceto nas crianças que estão ha pouco tempo na escola.

Se os "distúrbios de aprendizagem" estão presentes apenas no ambientes escolares e ausentes em outros lugares, o problema deve estar no ambiente de aprendizado das escolas e não em algum "distúrbio neurológico" misterioso e não-detectável das crianças, ou estariam igualmente presentes nas crianças escolarizadas em casa. Afinal não é segredo que as escolas não estão conseguindo cumprir sua tarefa: em muitas regiões, os níveis de alfabetização na verdade caíram e não chegaram a atingir os níveis prévios à existência de escolas públicas (nos Estados Unidos). Quando John Gatto, eleito Professor do Ano do Estado de Nova York, chama a escolarização obrigatória de "sentença de doze anos de prisão", percebemos que algo está muito errado e que o erro não é das crianças.


Será que as classificações de "hiperatividade", "fobia escolar" e "dificuldade de aprendizagem" não são uma cortina de fumaça para a incapacidade da escola de entender e aceitar o verdadeiro processo de aprendizagem? Uma especialista do porte de Mary Poplin, ex-editora de uma revista sobre distúrbios de aprendizagem ('Learning Disabilities Quarterly'), concluiu recentemente que "apesar de toda a pesquisa quantitativa... não há provas de que os distúrbios de aprendizagem possam ser identificados objetivamente... as tentativas de se estabelecer critérios objetivos para avaliar problemas humanos são uma ilusão que serve para encobrir nossa incompetência pedagógica". O educador John Holt relata em 'Teach Your Own' ('Ensine a Si Mesmo') que o presidente de uma importante associação para tratamento de distúrbios de aprendizagem admitiu que há "poucas provas para confirmar os diagnósticos de distúrbios de aprendizagem". John Holt alerta os pais de crianças em idade escolar para serem "extremamente céticos em relação a qualquer coisa que as escolas e seus especialistas digam sobre a condição e as necessidades de seus filhos". Acima de tudo, eles devem compreender que é quase certo que a própria escola, com todas as suas fontes de tensão e ansiedade, esteja causando as dificuldades e que o melhor tratamento provavelmente seja tirar o filho da escola de uma vez por todas.


As famílias que fazem isso ficam aliviadas ao descobrir que seus filhos recuperam o interesse que tinham pelo aprendizado quando eram mais novos. Ao contrário dos professores escolares, que têm apenas uma visão parcial de várias crianças a cada ano, os pais que ensinam em casa observam o aprendizado de uma única criança ao longo de vários anos, aprendendo assim a respeitar o estilo singular de aprendizado de cada filho, a confiar na escala de horários individual da criança e a reconhecer que os erros são um componente normal e passageiro do processo de aprendizado de qualquer pessoa. ( Não há pressa, de qualquer forma: muitas crianças escolarizadas em casa que começaram a ler aos 10 ou 12 anos saíram-se muito bem na faculdade).

Essa atitude de descontração dos pais que ensinam em casa mantém intacto o valor próprio da criança, torna as classificações insignificantes e permite que o aprendizado seja tão fácil quanto entre os pré-escolares: crianças escolarizadas em casa costumam superar aquelas que freqüentam a escola em termos de desempenho acadêmico, socialização, confiança e auto-estima. John Gatto afirma que "em termos de capacidade de pensar, as crianças escolarizadas em casa parecem estar de cinco a dez anos adiante daquelas que freqüentam a escola".


Durante alguns anos John Holt desafiou várias escolas a "explicar a diferença entre uma dificuldade de aprendizagem (que todos nós temos uma vez ou outra) e um distúrbio de aprendizagem". Ele perguntou aos professores como eles distinguem entre causas inerentes ao sistema nervoso do aluno e fatores externos - o ambiente escolar, o modo de explicar do professor, o professor em si ou o material didático. Ele relata: "nunca recebi uma resposta coerente a essas perguntas... [ainda assim] essa distinção é tão fundamental que não sei como podemos falar de modo construtivo sobre os problemas de aprendizagem de uma criança sem ela". Mas como os professores têm tanta certeza da existência tão disseminada de distúrbios neurológicos? Talvez eles estejam apenas confundindo causa e efeito: como John Holt observa, "os professores dizem que deve ser difícil ler, ou não haveria tantas crianças com dificuldade de ler". John Holt argumenta que "as crianças têm dificuldade de ler por que partimos do pressuposto de que ler é difícil... com nossa preocupação, 'simplificação' e pedagogia, tudo o que conseguimos é tornar a leitura cem vezes mais difícil para a criança do que deveria ser... quando estamos nervosos ou com medo temos dificuldade, ou ficamos mesmo impossibilitados, de pensar e até de perceber... quando amedrontamos as crianças, bloqueamos totalmente seu aprendizado".

De fato, algumas pesquisas mostram que as expectativas do professor sobre a capacidade de aprendizado da criança influenciam muito o seu desempenho acadêmico. Outras pesquisas mostram a relação entre a ansiedade da criança e sua dificuldade de percepção - e ainda que o alívio da ansiedade (e o tratamento de alergias alimentares, quando elas existem) reduz em muito a incidência dessas dificuldades. Mas não precisamos que especialistas e pesquisadores nos digam o quê está errado. Precisamos apenas ouvir as próprias crianças, que está há anos tentando expressar sua dor, frustração, confusão e raiva. Quando as crianças se voltam para as drogas, automutilação e suicídio são evidentes que estão tentando nos comunicar algo muito importante.


Será que as dificuldades de aprendizagem são mesmo uma reação compreensível de crianças normais obrigadas a conformar-se às condições anormais das salas de aula convencionais? Em outras palavras, será que as escolas são incapazes de perceber a diferença entre simples relatos de erros de aprendizagem passageiros, agravados pelo estresse, e uma conclusão científica? Embora as supostas anomalias neurológicas nunca tenham sido identificadas, não é difícil detectar condições anormais no ambiente escolar: competitividade feroz, inatividade física (particularmente difícil para os meninos), matérias fragmentadas que têm pouca relação com os interesses e as experiências individuais da criança, freqüentes avaliações e questionamento do progresso do aprendizado, falta de tempo para o convívio familiar, pouca oportunidade de conhecer pessoas de outras idades, falta de sossego para a privacidade e a reflexão, pouca oportunidade de receber a atenção exclusiva dos professores, desencorajamento a compartilhar idéias e trabalho com os colegas de classe (uma oportunidade valiosa sendo desperdiçada), crianças frustradas caçoando das outras, o desencorajamento de atitudes de auto-valorização e acima de tudo a indignidade de ser um incapaz, uma "não-pessoa", cujas necessidades legítimas e as tentativas de expressar essas necessidades são abafadas pela defensiva institucional. Todas essas dificuldades podem ser evitadas com a escolarização domiciliar - desde que o governo permita autonomia suficiente.


Classificações são incapacitantes, porque as crianças acreditam no que lhes dizemos. Se tivermos que classificar algo, que seja o ambiente de ensino e não o aluno: em vez de "criança hiperativa", vai nos preocupar com as escolas "restritivas de atividade"; em vez de alunos com "falta de atenção", deveríamos pensar nas aulas com "falta de inspiração"; em vez de "criança com fobia escolar" deveríamos usar palavras mais honestas como "ansiosa" e "amedrontada", e tomar mais cuidado ao pesquisar o motivo da ansiedade. Usando a Navalha de Occam, vamos procurar a teoria mais simples que explique os fatos e não a mais complicada e obscura. Um ambiente estressante, punitivo e ameaçador são mais do que suficiente para explicar os problemas de aprendizagem. Não precisamos nos confundir com termos técnicos, teorias sem comprovação científica e bodes expiatórios para preservar uma instituição social que falhou com nossos filhos.


Como devemos agir então? Norman Henchey, professor da Universidade MacGill, recomenda "repensar totalmente a escolarização compulsória". Norman Henchey defende a volta à escolarização em casa e a "outras vias de amadurecimento... programas de formação de aprendizes, serviços de ensino formais e informais, serviço público". Talvez assim possamos honrar o estilo individual de aprendizado de cada criança e, como pede o Dr. Armstrong, "dar às crianças a motivação de que necessitam para se sentirem seres humanos competentes e bem-sucedidos". As crianças nasceram para aprender. Elas merecem ter um ambiente de ensino seguro e estimulante, onde possam aprender em uma atmosfera de paciência, respeito, delicadeza e confiança, sem ameaças, coerção ou cinismo. Como Einstein nos alertou muitos anos atrás, "é um grave erro acreditar que o prazer de observar e pesquisar possam ser incutidos pela coerção".

Toda criança é uma criança bem-dotada.

por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project”

Metodologia - na teoria ou na prática?

Um edifício chamado conhecimento.

O mestre sabe tudo

Filósofos e pesquisadores procuram explicar, de diferentes maneiras, como o ser humano atinge o conhecimento, como adquire a linguagem, desenvolve o pensamento.
Bacon, Locke e Hume, filósofos empiristas, acreditavam que o conhecimento se forma na mente do indivíduo principalmente por meio da informação sensorial: tudo passa pelos sentidos.
Para os empiristas, de início a mente estaria vazia como um espaço em que as experiências poderiam ir sendo impressas. Com base nessas idéias é que se considera a mente da criança uma folha de papel em branco, na qual o professor pode escrever o que desejar. Idéia semelhante é a que compara a mente da criança a uma massa bruta e o professor é um artista capaz de moldar caracteres de acordo com sua vontade.
A forma empirista de pensar tem levado muitos professores a tratar o aluno como aquele que nada sabe, tem a mente vazia, enquanto ele, o professor, é o que sabe o possuidor do saber.
Assim é o mestre que escolhe o que, como e quando ensinar. Ele “dá a matéria”. O aluno recebe.
O conhecimento, desse modo, se torna algo estático, que pode ser estocado e que será transmitido para o aluno, o sujeito passivo.
Como não é possível “despejar” tudo de uma vez, o professor vai ministrando o conteúdo aos poucos, cabendo ao aluno ir armazenando os tópicos recebidos para depois reproduzi-los, principalmente nos exercícios e nas provas.
O ensino, nesse caso, está centrado na palavra e nos símbolos, e não na interpretação, no raciocínio e na compreensão. Ensina-se por meio de perguntas e respostas que devem ser sempre aquelas que o professor espera. Valoriza-se o produto, reforçando-se a repetição, a cópia, a memorização e a fixação de conteúdos.

Uma das mais sérias consequências políticas da aplicação de concepções empiristas na escola tem sido a formação de sujeitos passivos diante dos conhecimentos, dos fatos e da sociedade.
Outro aspecto preocupante é que o ensino torna-se quase sempre cansativo, desestimulador, rotineiro, descontextualizado, isto é, desligado da realidade social, o que pode resultar em massificação, anulação de pensamento divergente e da criatividade.


Capacidades Inatas

Em contraposição à teoria empirista, filósofos racionalistas, como Descartes e Leibniz, afirmavam que o conhecimento é resultante da razão pura. Para eles, nem sempre somos capazes de perceber tudo por meio dos sentidos, pois podemos ter ilusões perceptivas.
Além disso, conhecimentos abstratos, como os conceitos matemáticos, são baseados no raciocínio, e não em informações sensoriais. A capacidade de conhecer seria inata, isto é, o sujeito já nasceria com a capacidade de raciocínio. O conhecimento estaria, portanto, pré-formado na mente.
O professor que adota rigidamente esses conceitos desconsidera as possibilidades de desenvolvimento cognitivo oferecidas pelo meio. Para ele, o aluno nasceu ou não com a capacidade de conhecer.
Na prática, um dos resultados do trabalho pedagógico baseado no racionalismo e no inatismo tem sido condenar ao fracasso os alunos que não demonstram já saber desde os primeiros dias de aula a linguagem, os valores e os conhecimentos prévios considerados corretos e adequados pela instituição escolar.
Como poucos demonstram essa competência, a grande maioria enfrenta dificuldade no processo escolar, principalmente os alunos provenientes das camadas mais pobres da população, quase sempre estudantes de escolas públicas, de periferia ou de zona rural.
Outro aspecto político preocupante é o fato de se manter a formação de uma elite privilegiada que detém o saber e o poder. Com isso, continua-se a oferecer uma escola pobre para os pobres.

Piaget: em busca de sujeitos ativos

Sintetizando concepções empiristas e racionalistas, Jean Piaget tenta explicar o conhecimento como um processo de interação entre o que está fora do indivíduo e o que ocorre dentro dele. O conhecimento é construído e desconstruído a todo o momento.
Piaget demonstra, por exemplo, que numa experiência de despejar um líquido de um recipiente largo para um recipiente estreito, uma criança, utilizando apenas os sentidos, irá dizer que a quantidade de líquido no recipiente estreito é maior. O pensamento de que, se nada foi acrescentado ou derramado, a quantidade continua a mesma, envolve um raciocínio que vai além da percepção sensorial. Para raciocinar sobre a conservação do líquido, não basta ver a ação de despejá-lo de um recipiente para o outro. É preciso também comparar os recipientes e estabelecer uma relação lógica entre a diferença observada e a quantidade de água despejada.
Quando a relação lógica é estabelecida, a criança não sente necessidade de comprovar seu ponto de vista Mas se, ao contrário, ela ainda não compreende logicamente a ação percebida, tem necessidade de realizar inúmeras experiências, para reafirmar sua percepção empírica.

Por uma teoria do conhecimento

O professor que utiliza os princípios de Piaget em seu trabalho considera o aluno como um sujeito ativo, capaz de estabelecer relações lógicas, isto é, capaz de pensar, raciocinar, construir internamente o seu conhecimento, o que requer experiências, vivências, interação da criança com tudo aquilo que ela deseja conhecer. Suas ações devem estar voltadas para a necessidade lógica de antecipar idéias (formular hipóteses), comparar, comprovar percepções, tirar conclusões. Para isso, não basta manipular objetos!
Além da experiência com o concreto, é preciso que a criança pense sobre suas ações, estabeleça relações lógicas. Ao seriar, classificar ou agrupar objetos, por exemplo, ela pode ser incentivada a explicar como pensou o que fez o que aconteceu.
Assim, a prática construtiva está voltada para a operatividade do aluno, isto é, para o desenvolvimento de seu raciocínio. É o mecanismo por meio do qual o sujeito incorpora um conhecimento novo a seus conhecimentos anteriores, utilizando-se de esquemas mentais já construídos e que vão sendo modificados pela assimilação de novos conhecimentos.
Ao interagir com um novo objeto do conhecimento, o indivíduo modifica-se, acomodando suas estruturas, isto é,transforma conceitualmente os objetos e transforma a si mesmo (porque altera seu esquema mental).
Uma criança que ainda não sabe ler, por exemplo, ao interagir com textos não discrimina os sinais gráficos. Todos lhe parecem iguais, ela não relaciona os símbolos com a fala. Conforme vai assimilando percepções e estabelecendo relações lógicas, porém, começa a ver o texto de forma diferente. Agora, o significado do texto é outro, isto é, o objeto foi modificado em seu ponto de vista, e a criança também se modificou, porque tem um novo esquema mental em relação a ele. Já é capaz de estabelecer relações entre sinais gráficos e som da fala, já sabe dar significado ao texto – já sabe ler.


Importância da Psicogênese

Para chegar a esse processo de adaptação em relação ao conhecimento do texto, a criança passa por muitos momentos de dúvida, incerteza, confusão – momentos que Piaget define como conflitos.
A psicogênese serve como ponto de partida, como indicador de interferências e mediações do professor, e não para classificar crianças segundo sua capacidade e desempenho, centrando o trabalho pedagógico quase exclusivamente no desenvolvimento intelectual.
Uma preocupação excessiva com o cognitivo, com o crescimento individual do sujeito, pode desqualificar aspectos fundamentais como a afetividade, a criatividade, o desejo, o prazer, a fantasia e a necessária relação do conhecimento com o contexto sociocultural do sujeito.
A teoria de Piaget oferece ao professor uma compreensão do processo de formação do conhecimento científico e dos limites e possibilidades individuais da criança, mas é preciso levar em conta que as condições de vida, a cultura e o meio social também interferem na forma de perceber e de interpretar a realidade e, portanto, na relação com o conhecimento.
É preciso atenção às possibilidades e limites de aplicação da teoria piagetiana.



Texto retirado da apostila de formação de professores do Colégio Espírito Santo – Bagé, RS – 2005.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Violência na Escola


Olá amigos.
Este texto foi abordado no encontro em Baturité.
Um grande abraço a este grupo que busca desenvolver algo de diferente em suas escolas favorecendo a criticidade do educando.



Texto informativo sobre Violência na Escola:

Pesquisando sobre o tema:

Especialistas reunidos em Espanha defendem que o aumento da violência nas escolas reflete crise de autoridade familiar.

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo fato de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas. 'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. '

As famílias não são o que eram antes e hoje as únicas meio com que muitas crianças contatam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passa com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa...

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois.

Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha. Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos’.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos’.

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incomodo. Isso os leva à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.
INTERNET: POSTED BY JOÃO MADURO AT 1:31 PM
LABELS: EDUCAÇÃO, ENSINO



Abordagem com Alessandra Caldeira da Costa - Psicopedagoga

Família - Instituição de amor

video

quarta-feira, 1 de julho de 2009


“Nós somos a mudança que queremos ver no mundo.”
Ghandi

Olá, pessoal.
Aproveitando as férias?
É tempo de descansar,se divertir ainda mais e de renovar.
Renovar conceitos, renovar nossa prática e sentimentos.
Manter a energia e a vitalidade de ensinar com prazer.
Curtam as férias e renovem...
Grande abraço a todos!